Casais e Contribuições da Constelação Familiar

É possível aumentar a força que une um casal? Que fatores podem contribuir para o enfraquecimento ou fortalecimento da relação conjugal? Essas são perguntas que muitas vezes inquietam, mas que, ao mesmo tempo, também nos oportunizam refletir sobre a dinâmica conjugal. Esta escrita se fundamenta, especialmente, a partir da visão sistêmica compartilhada por Bert Hellinger. O presente artigo tem por objetivo gerar reflexão acerca dos relacionamentos conjugais.
 
           Há várias situações que podem predispor o relacionamento conjugal para que se apresente forte ou enfraquecido. Bert Hellinger, grande terapeuta alemão, nos apresentou as “leis ou ordens do amor”. Essas leis ou ordens ampliaram de forma considerável o olhar para os relacionamentos humanos. Ele dizia que em todo sistema há amor, porém para haver harmonia em qualquer sistema, seja familiar, seja organizacional, que era importante que esse amor fluísse em ordem. A constelação familiar, mesmo sendo uma ciência nova. já tem diversas evoluções e desdobramentos em um curto período de tempo. Digo curto, porque em termos de ciência, vinte anos não são nada. E foi no ano dois mil que começaram os primeiros seminários de formação no Brasil. 
Assim, aqui farei um recorte com foco em um aspecto que, ao meu ver, surge e interfere com frequência nas relações conjugais. Diz respeito à cada um dos cônjuges tomar pai e mãe, ou mesmo a história de sua família de origem. O que seria “tomar” pai e mãe, “tomar a história da família”? Essa é uma linguagem muito utilizada nas Constelações Familiares para expressar a aceitação, o reconhecimento das relações e situações que se passaram anteriormente, seja com os pais ou nas histórias deles com suas respectivas famílias. “Tomar” significa colocar-se como menor e impotente perante uma realidade que já aconteceu e à qual não se pode modificar. Significa, minimamente, não brigar com a própria história. É um ato ativo de reconhecer a mesma como ocorreu, com dores, amores, dissabores, vitórias e derrotas, por exemplo. Sim... nem sempre é fácil assim... Algumas vezes torna-se importante ajuda especializada, devido à gama de conflitos ou traumas possivelmente existentes nesta história. Porém, o resultado disso é gratificante: uma tranquilidade diferenciada, é como tomar para si da força ainda não reconhecida. Uma outra ilustração, a seguir, pra realçar a importância e influência da própria história na vida à dois... se uma mulher tem um relacionamento difícil com o pai, ou um homem tem um relacionamento difícil com a mãe, e isso não é percebido de forma consciente (claro, nunca nos tornamos totalmente consciente de nossa história, é sempre um processo relativo e parcial), pode surgir uma tendência em que no relacionamento conjugal algumas coisas sejam cobradas a partir do relacionamento insatisfeito com a família de origem. E à medida que isso fica mais claro para os parceiros, a tendência é diminuir os embates, cobranças e boicotes na relação conjugal. Claro que nada é matemático, então falamos de tendências e possibilidades...
  Algumas  perguntas interessantes para auxiliar no contato com o lugar ocupado no relacionamento e com a própria história familiar são:
- Na minha família de origem (na família do meu pai e na família da minha mãe), como é visto o papel do homem e da mulher nos relacionamentos conjugais? Se a relação é homoafetiva, como é visto o papel de cada um?
- Na relação, alguém se sente superior ou inferior ao outro? 
- Há relações de poder entre os gêneros? Que história ou histórias há por trás disso? 
- Que fatos marcaram esse sistema?
- Como outros casais ou pessoas importantes seguiram suas vidas? Por exemplo, meus pais, meus avós? Ou outro(s) por quem eu nutra um afeto especial?
- Houve situações traumáticas ou impactantes envolvendo relacionamentos conjugais em minha família?
Certa vez, em um atendimento pós constelação familiar, com o objetivo de trabalhar a relação com o amado esposo, a mulher apresentou-se caminhando de forma mais segura que antes, apesar dos desafios vivenciados por ela a partir do comportamento incomum de seu marido – que era o de flertar com outras mulheres. E dentre outras reflexões, quase ao final do atendimento, ela falou algo como, quando me sinto insegura eu corro e fico ao lado do meu marido. E, no relacionamento conjugal esse é o lugar ideal, um ao lado do outro. Mas para além do ideal, somos pessoas construídas por histórias e somos seres em construção, sempre. E, neste sentido de sermos movidos e nos movermos, sem sabermos bem como, lancei uma pergunta para reflexão. Então, você me disse que quando se sente insegura no relacionamento, você corre e se coloca ao lado do seu marido. Te pergunto, assim, e quando você se sente segura? Que lugar você ocupa? E um silêncio pairou no ar. São múltiplos os papéis que vivemos e necessidades que nos movem. 
Que tal parar e fazer contato? Como me sinto em meu relacionamento? Qual lugar eu dou ao meu cônjuge? Qual lugar eu ocupo no relacionamento? Me comporto como cônjuge? De que forma contribuo? 
A seguir cenas dos próximos capítulos.
Sempre é bom lembrar que informação não muda comportamento. Assim, nossa idéia aqui foi, antes de tudo, gerar reflexões acerca do lugar que ocupo no relacionamento conjugal. Se apenas isso tiver sido possível, afirmo que esta escrita tenha estado à serviço da Vida. 
 
Juliana de Sousa Pires 
Psicóloga CRP 09/2454
Especialista em Psicologia e Psicoterapia Transpessoal
Especialista em Consultoria e Coordenação de Grupos 
Formação em Constelação Familiar
whatsapp: (62) 98424-7124
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